quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A TUDO EU VEJO


A TUDO EU VEJO

Estive cansado.
Irremediavelmente exaurido.
Pela manhã,
Sentei-me sobre as pedras
Fiquei a ver a cidade.

As pessoas vão e vem, tão
Rápidas que, mal desaparecem,
Já despontam novamente:
Como são rápidas no viver!

Cá de cima, posso ver a vida:
Ela não me atinge.
Para estar ileso, fiquei só.
Optei pelas pedras e céu.

Amei fulana
Mas fulana vivia às voltas com amigos
Festas, coca.
Como podia amar fulana
Se ela nunca estava consigo ?

Sentei-me, ah, sobre as pedras
Qual o eremita, a ver
As pessoas que se agitam.
O sol alongou, recolheu e
Por fim, carregou a sombra.

Eu, às rochas, achando-me
Inútil por não feliz
Junto a fulana em suas
Aspirações mirabolantes
Amigos cheios de cálculos
Traduções e literaturismos.

Eu, diverso deles, simples soldado
A ensarilhar armas
Sonhando com fulana feliz.
Ela, entre as estrelas do generalato
Com suas drogas de raiz
A seu modo, feliz.

Ah, fulana que atraque
Em sonhos! Cá, nas pedras,
Longe do colarinho e fraque,
Abasteço-me de sonhos.
Vejo as pessoas aceleradas
Bastando-me isso para viver.

Sem que o dono delas perceba
Deixo as mãos fazerem poemas
Que escorregam pelas encostas
Terminando dentro da cidade
Que  vejo e sempre surpreende.

Ah, que inutilidade feliz!
Em cima, nada acontece
Que venha de quem me conhece
Ou de quem esqueci.

Estou à beira de tudo   
E atiro olhares ao mundo.

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