quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A BUSCA


A BUSCA

Não procures poesia em nada,
Minha cara
Que não há poesias em coisas,
Em objetos, panfletos.
Homens, vivos ou mortos
Morrer por ideais ou idéias
Nada se constitui em/de
Poesia.

Não caces a poesia
Com as armas dos homens
Que ela não tomba
Como a caça na mata
Nem consagra seus dias
À lide do caçador.

Não vejas poesias nas faces
Dos que andam nas ruas
Envolvidos por suas solidões
E tristezas imediatas.
Não lhes veja poesia nas faces
Posto não ser a poesia
Utensílio, rouge ou rímel
A sombra nos olhos.

Não trabalhes a poesia em tua
Mesa, onde confeccionas o teu pão
Que, assim, destitui-la-ás
De todo sentido e perigo.
Não confundas a poesia dos dias
Com os deveres e obrigações
De esposa diária, mulher noturna:
Poesia não carrega anseios de orgasmos
Não procria poesias.

Não, nunca as poesias.
Nada, nada nela.

Então, que faço eu,
Mulher solícita,
Nos papéis e folhas soltas
Por dentro das gavetas
Cheirando a alfazemas
Para evitar as traças?
Construo intimas inutilidades?

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