quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A ROSA PITHECANTROPA II


A ROSA PITHECANTROPA II
p/afonso
                                               a rosa sem razão
                                               floresce porque
                                               floresce

A rosa roubou-me a fala
rompendo meus dentes com
suas pétalas de clava.
Enraizou-se-me pela garganta
emparasitou o peito
estendeu raízes entre os pulmões.

A rosa, espinhos nas gengivas,
sangrou minha saliva
adocicou meu paladar
rasgou a língua.

Os olhos ardentes, estúpidos,
emersos de espantos
rajaram-se de rosa:
o rosa da rosa vermelha

entupindo minha boca
com sua rude e simples força.
A rosa dos homens primitivos
na boca contemporânea.

Buscando sentidos
estimulando símbolos

a rosa louca
na boca pithecantropa.

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