quinta-feira, 29 de setembro de 2011

GÊMEOS

Pouco conhecera
Muito amara
Nas distrações
Adivinhava-a

Lutou por merecê-la
Amarras
Outras apareceram
Nem nada

Passou o tempo
Esperanto
Os olhos amando
Um encanto

Sem luzes, fidalguia
Era só um homem
Guardando os dias
Nem sabe aonde

Tornou-se deusa
De imaginada
Ele, fera presa
Ao que criara

Os seus caminhos
Foram traçando
Um labirinto
De  enganos

Por fim, o momento
Do adeus  desejado
Ao sofrimento
Que era amparo

Frente a frente
Com o destino
Viu-se, temente
A sós consigo

O  mistério
Revelara-se
Seu ministério
Em si findava

Sem a conhecer
Imaginara
Amor de doer
Uma clava



Ela, sem saber
O fustigara
Por outro arder
Que não amava

Ele sem prumo
Ela dissecada
Dois assuntos
Sem palavra

Muito dele
Ela calada
Ela era ele
Ele era nada

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

OUTRO


Não sei sentir. As alegrias
Em mim ricocheteiam.
A racionalidade que orgulhava
Exasperou os sentimentos
A falta de um abraço quente
Calor puramente humano
Congelou  o que fervera

Não tenho tempo para amar.
O mundo dos homens flui
Para dentro de mim
Arrancando lascas, nacos
Na medida em que passa
Resfolegante pelos sentidos
E, em muito, pelos ouvidos.

Só consigo ser no ideal
Não comporto o real
Sou o que faço parecer
Olhando com descaso
Para o que pareço
Enquanto  desconheço
O visto no espelho.

Querendo entender a vida
Compreendi tudo
Menos o que era humano
Menos o que era quente
Injusto, porém quente:
Optei por ser morno
Imperfectivo, mediano

Viver em primeira pessoa
Foi deveras enfadonho
Ser o justo, a lança
Era negar ar à idéia
Privar o pensar do som
Quando sou só palavra
Linguagem usando corpo

o que digo não faz sentido
Não sou quem traduzo
Não entendo o idioma
A vida, amigo, é literatura
Circunstância e metáfora
Quem nas brechas se declara
É outro: quem  escreve a carta.

ALOPÁTICO

ALOPÁTICO

O calor atiça a libido
Dos bichos 
O que chamas amor
É pura química
Encontro de humores

Todos sofrem um pouco
Todos riem
O tamanho do amor
Mede-se na despedida
Pelo que dele resiste

As cores que não vias
Palavras ditas
Tudo tem seu preço
Sua valia
Petisca quem arrisca

Tomei um pouco de tudo
Para mudar o mundo
As manhãs sempre vinham
Que a noite urge
e o viver é um feito particular

amanhã te contarei de mim
talvez rias
mas será apenas historia
o mundo não mudou
pelas drágeas

o que chamas amor
minha querida
revelou-se obra da química
dizem os cientistas
que não leram poesia.