quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A ROSA PITHECANTROPA I


A ROSA PITHECANTROPA I

p/afonso

Pelas alças da minha cabeça
sacudiram o vaso conturbado
As maos férreas, finas de louça
viraram o jarro.

Derramaram terra cinza
antiga, calcinada de muitas queimadas
Espalharam os torräes existentes
com pés ruins
para que ali nao nascesse mais nada
espontaneamente.

Olhos, adornos da peça ilegível,
entornaram líquidos
que davam seiva ao caule
da planta presa ao vaso.

De súbito, buscando ar,
fogo, terra e água
emergiram-me da negra boca

as pétalas murchas
da rosa pithecantropa.

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