PARTES
Fosse qual fosse o desfecho
Seria sempre trágico deslize
Que o amor é coisa segredo
Que acha alegre fazer triste
O coração tem essa mania
De achar-se o só no mundo
Exigindo uma companhia
Que é amar-se profundo
Mas como amar a si mesmo
Metade incompleta e falha
De um todo que é só medo
de que as partes se separem?
É por esse medo que denoto
Que transmito nos olhos
Que se percebe nos modos
Que minha felicidade imolo
De volta, novamente e sempre
A este passado que se repete
Vindo do futuro que é
presente
Que peço que não mais se me
oferte
A certeza indubitável da
perda
Do amor que outrora era rocha
Fez do homem frágil, reles
poeira
Que pela vida arde; ao vento
rola
Desgastou-se a certeza de
futuro
Quando o amor acabou, silente
Esvaziou a vela que ia a fumo
Rumo à Arcádia de toda gente
Com essa coisa pulando no
peito
Essa sua presença assombrando
Vou procurando qualquer jeito
De viver embora te viva
negando
E negar o amor que um dia
vivi
Convicto de ser o maior do
mundo
É ter a certeza de que tudo
perdi:
Rasga-se a tela ao separar-se
o uno
Fosse qual fosse o desfecho
da peça
Sempre seria surpresa para os
atores
Que improvisam querendo ser
platéia
Enquanto cerra o pano sobre
seus amores
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