quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A OBRA HUMANA


A OBRA HUMANA

Estamos muito cansados
De nossos trabalhos
Pelas notícias que levamos
Ao conhecimento de todos
A cada dia

Estamos, de fato, cansados
Nossos corpos fatigados
Reclamando repouso
Descanso digno e suficiente

Muito temos construído
E criado
Por acaso saberemos
Quantos quilômetros
De papel escrevemos
Nos últimos cem anos
Da história do homem?

Foi preciso muito escrever
Para chegar onde estamos
Os homens-papiros
Homens cansados

Cansados e escreventes
As mulheres andam grávidas
Os homens melancólicos
A pungência não cessa

Escreveremos mais alguns
Trilhões de palavras
Antes delas desistirmos.
Na certa escreveremos
Decerto, não desistiremos
Ou, quem sabe, sim?

Poderá o homem
Como é inconstante
Às portas do fim
Recomeçar tudo
Por isso andamos cansados
As mulheres grávidas
Pela incerteza do mundo

As mulheres aguardam,
Vigilantes, no canto da cama
A hora de deitar
Os homens, convalescentes
Tomam sopas
Ou fortes e resistentes
Trôpegos de cerveja

Sempre estão na batalha humana
De comer e procriar

Para alguns, finas iguarias
Outros, nojentas porcarias
Ou nada
Que o alimento é escasso
E grande a fome

Papel, caneta, palavra
A arma do homem.

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