segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

MILAGRE

MILAGRE

Escavo o silencio para enterrar
As palavras que não mais a mim pertencem.
Procuro o mais quieto que há em mim
Para gritar o que diria a ti
De forma que não ouças,
Que fique entre mim e o nada
Flutuando tristes e pesadas
As palavras a ti dedicadas.

Procuro o vácuo que nada propaga.

Cavo e escalavro os dedos
Na dura superfície da ausência.
À medida que me aprofundo,
Em que me alheio do mundo
Para não perder o amor que vivi,
Mais difíceis ficam as palavras.
Retorno, então, à jornada de cavar
Para esconder o que de mim salta.

Aliviar a falta do que em mim falta.

Quando vou me dando por satisfeito,
Chegando lá, aonde não existo,
Deparo-me com a pedra inexpugnável
Lacrando minha passagem
Para qualquer felicidade.
Sem mais poder, “preciso de um milagre
Remove a minha pedra¹”
Afasta, de mim, essa saudade.

¹ - RESSUSCITA-ME (Aline Barros)

Um comentário:

  1. Parabéns pelos poemas que mostram, facilmente, a sensibilidade de sua alma. Principalmente em "Milagres". Abraço. (www.maufesan.blogspot.com)

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